Andei lendo um post no Papo de Homem sobre a reza que os jogadores do Brasil fizeram ao vencer o título da Copa das Confederações na África do Sul. Isso me fez lembrar o quanto acho pessoas que se dizem atéias interessantes, e o quanto as que não são interessantes são desinteressantes pra valer.
Explico: a não ser que a motivação da pessoa se declarar atéia seja um trauma sexual na infância (uma criança, um padre, um crime) ou influência de pais comunistas, muito provavelmente ela chegou a essa conclusão a partir de reflexões sobre o mundo e como ele funciona, mesmo que vivendo num mundo onde, quando você nasce, recebe uma religião de brinde. Pessoas que exercitam esse tipo de reflexão costumam ter uma visão bastante razoável da vida, baseada em preceitos concretos e na lógica em si, o que evita toda aquela coisa de hipocrisia entre o que a religião da pessoa prega e o que ela faz, já que sem preceitos religiosos direcionando sua vida, não tem porque tentar escapar pela tangente dos mandamentos de uma doutrina. Isso é liberdade.
Digo que gostaria de ter mais ateus como amigos por que eles admitem que a única coisa que exige de alguém um comportamento decente são as próprias regras da sociedade. É errado pensar que uma pessoa que não acredita em Deus é uma pessoa sem princípios morais ou sem rumo na vida. Na verdade os princípios que elas seguem são os princípios tangíveis da vida em sociedade, muitos dos quais incorporados aos ensinamentos das religiões, como o ensinamento de não fazer ao outro o que não gostaria que fosse feito a si mesmo.
Richard Dawkins é um desses ateus declarados, que apesar de sua defesa intransigente da não-existência de Deus, possui uma visão de vida que deixaria o discurso de muito padre, pastor e rabino no chinelo no quesito “frases de sabedoria”. Afinal, já que essa é sua única vida, o ideal é vivê-ela da melhor forma possível.
O problema todo é quando a combinação ateísmo e babaquice se juntam na mesma pessoa. Resulta em pseudo intelectuais que saem vociferando contra a religião da forma mais jocosa possível, ignorando que todas as pessoas são dignas de respeito e merecem ter seu ponto de vista respeitado. Temos nesse caso o típico discurso de “eu sou superior a você, mais inteligente, mais bonito e mais sex por não acreditar em fantasminhas imaginários”, da mesma família do discurso extremista “pobre de você que ainda não encontrou Deus”, porém ainda mais desprezível, já que não é acompanhada do quesito falta de conhecimento. Ambos são chutes diretos, com sapato bico duro, nos ovos!
Mesmo com isso, continuo afirmando que gosto dos ateus, porque, felizmente, a propabilidade de encontrar um ateu com alto grau de babaquice é baixa, embora eventualmente topemos com um desses poraí, como é o caso do autor do artigo no Papo de Homem.
Quanto a mim, se perguntarem se sou ateu, respondo o clássico “sou ateu, graças a Deus”.
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Minha contribuição ao concurso de tirinha personalizada do Bichinhos de Jardim.
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- Mãe Joana disse que preciso descobrir meus outros talentos…
- Procure numa caixa de fósforos. Devem estar lá dentro!
- Na novela tudo acontece pela internet! Acho que vou fazer um site de tirinhas com bichinhos…
- Já tenho uma idéia de “logomarca”. Eu mesmo vou fazer. Acho que levo jeito…
- Metalinguagem em tirinhas? chamem o PETA!
Na verdade é apenas uma tentativa desesperada de ganhar uma camiseta da Maria Joana Cascudo, que nesses tempos de crise econômica anda meio distante da minha bagunçada gaveta de blusas.
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“Eu mata… errrr… faria uma tirinha por uma dessas!”
Se não sabe de que concurso estou falando? então visite o ótimo Bichinhos de Jardim!
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A Harmonia Final
“Perseverai em busca da essência
Buscai o tronco, não vos enganeis
Colhendo folhas, perseguindo galhos”
“Dez anos passei peregrinando
Dos quais hoje escarneço, e a mim mesmo:
Vestes rotas, sombreiro despedaçado,
Às portas do zen bati,
Quando as leis de Buda são essencialmente tão simples!
Dizem elas: Coma o arroz, beba o chá, vista a roupa”
Estes versos foram retirados da obra Musashi, de Eiji Yoshikawa. O primeiro é atribuído ao fundador de um templo budista chamado Daito. O segundo seria de autoria de um monge Gudo, sobre sua busca de iluminação. Não sei até que ponto esses são poemas históricos ou ficcionais, de qualquer forma refletem muito bem o pensamento despreendido e sensato do budismo, que tanto me empenho em seguir.
Deixo aqui registrado para futura referêcia, pra sempre lembrar destes princípios.
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Acontece
“Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.”
(Cartola)
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Fado Tropical
“Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…
Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa”
(Chico Buarque)
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Tags: música
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